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Novo app curitibano permite escolher motoristas mulheres

29.01.2018

Um novo aplicativo de Curitiba – que congrega táxi e transporte individual privado de passageiros – permite que o usuário (a) escolha se quer que o motorista seja mulher ou homem. Essa é uma das novidades apresentadas pelo 55, que passou a operar na cidade em dezembro de 2017.

O app tem 300 motoristas rodando em Curitiba, dois quais 20% são mulheres. De acordo com o diretor-técnico do 55, Dalton Fujiwara, a ideia surgiu após o aumento da demanda de mulheres que preferem ser transportadas por outras mulheres, e de mães que queriam que as filhas fossem levadas apenas por motoristas do sexo feminino. Se preferirem, homens também optar por seguir com as condutoras. “Há a questão da segurança, mas também do cuidado das motoristas e da demanda dos passageiros”, explicou Fujiwara.

Adriana Biscrovaine, de 46 anos, foi uma das primeiras motoristas que se cadastrou para atender pelo app. Além de trabalhar com o que gosta, ela afirma se sentir útil em fazer atendimentos específicos para o público do sexo feminino. “Querendo ou não, muitas passageiras curitibanas foram vítimas de assédio. Apesar de muitos casos ficarem ‘abafados’ e nunca serem trazidos a público, a grande demanda pelo serviço mostra que a questão incomoda e merece mais atenção”, afirma.

Antes de iniciar qualquer viagem, se a passageira ou a motorista não se sentirem seguras, ambas têm a possibilidade de cancelar a corrida. O diferencial é que nenhuma das partes será punida por isso – como ocorre em outros apps. O mesmo vale para os homens.

Além disso, ao contrário da maioria dos aplicativos de transporte privado urbano, o 55 não cobra taxa de corrida dos motoristas, mas sim uma anuidade – o que garante conversão integral do valor do serviço ao condutor. Para as funcionárias, a vantagem é maior, já que pagam menos pela adesão. “Diminuímos o valor da anuidade para as funcionárias. Enquanto homens pagam de R$ 990 a R$1.190 mil, elas pagam R$ 890”, explica José Gulin, um dos diretores da empresa.

Com relação aos preços das corridas, o 55 promete valores finais 10% mais baixos do que outros apps durante o dia, e 5%, à noite. O pagamento pode ser feito em dinheiro, cartão de débito e de crédito.

Além de chamar motoristas de transporte individual privado, é possível chamar um taxista ou uma taxista pelo 55. “Não somos um aplicativo de mobilidade urbana, mas sim um app de conexão, resume Fujiwara.

 
O aplicativo 55 está disponível tanto para Android quanto IOS e pode ser baixado na Google Store e na Play Store. Para saber mais, também é possível acessar o site da empresa.

Outro app para mulheres
Outro aplicativo que surgiu a partir das necessidades do público feminino foi o Frida Karro , cujo serviço é prestado somente por mulheres. Criado no fim do ano passado, o app funciona há 30 dias em Curitiba e já conta com 600 motoristas cadastradas.

De acordo com um dos idealizadores da plataforma, Marcello Lombardi, a ideia surgiu não somente a partir demanda por segurança, mas do próprio comportamento das mulheres no trânsito. “Preferimos trabalhar somente com motoristas mulheres porque existem estudos que comprovam que elas tomam mais cuidado ao volante. Além de levarem menos multas, por serem mais cautelosas, as mulheres são mais equilibradas em situações de stress no trânsito. Isso representa mais segurança para os passageiros e para a sociedade de um modo geral”, afirma.

Não são somente plataformas de transporte particular alternativo que oferecem o serviço. Algumas empresas de táxi de Curitiba também inclinaram os ouvidos à questão e começaram a operar com frotas conduzidas exclusivamente por mulheres. Os carros apresentam todas as características exigidas pela lei municipal (cor laranja e grafismos em preto), e as motoristas são devidamente regulamentadas pela Urbs.

Separar resolve?

A discussão sobre a necessidade de separação de homens e mulheres nos meios de transporte públicos e privados divide opiniões. Em Curitiba, a tentativa de criação de um ônibus rosa, que atenderia somente o público feminino, caiu por terra no fim de 2014. Na época, o vereador Rogério Campos (PSC) elaborou a proposta baseado na preservação da integridade física e moral das mulheres. Em votação, a Câmara Municipal rejeitou o projeto, alegando que a medida desrespeitaria o direito de igualdade.

De acordo com a psicóloga e professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo (UP), Cláudia Conalchini, a questão é polêmica, mas não pode ficar de lado. Medidas como o “ônibus rosa”, segundo a especialista, resolvem a questão paliativamente mas, para que o problema fosse de fato solucionado, seriam necessárias abordagens a nível cultural e educacional, além de uma reeducação da forma social de pensar o papel da mulher. Missão difícil, mas não impossível.

Para a psicóloga o ideal seria que princípios como igualdade e respeito fossem ensinados em casa, e diante da ausência dessa educação, políticas inclusivas representam apenas um “remédio”. Enquanto nas redes sociais a questão é discutida efusivamente, no âmbito doméstico e escolar o debate vai a passos lentos. De acordo com a psicóloga, o atual momento social pede que o respeito à mulher seja revisto pelas famílias e instituições por meio de campanhas educativas, por exemplo. “É preciso que as verdades transmitidas até hoje sobre os papéis do homem e da mulher sejam questionados em âmbito social. É necessário investir com uma educação igualitária, que transmita deveres e direitos iguais para eles e para elas”, ressalta.

 

Fonte: Gazeta do Povo