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Passageiros trocam ônibus por aplicativos de transporte

10.11.2017

Estudo revela que usuários vieram, na maioria, dos transportes público e privado, além de pedestres

Os aplicativos de mobilidade, como Uber e Cabify, não só tiraram público dos táxis, mas incluíram novos usuários de transporte particular interessados nas tarifas, maleabilidade do preço, segurança e serviços como pagar com cartão de crédito. Essa é a conclusão de uma nota técnica elaborada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo a nota, “evidências sugerem que o serviço da Uber (e afins) cria uma nova demanda, capturando usuários que antes não utilizavam o serviço de táxi”, diz o documento.

“Nunca fui de andar de táxi, mas uso muito Uber hoje. Prefiro o aplicativo do que ônibus por causa da segurança”, afirma a assistente de RH Mayla Moreira, 18. A segurança é o principal problema apontado pelos usuários de transporte público, segundo o anuário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos de 2017. O estudo apontou que em agosto deste ano, cerca de 3 milhões de passageiros deixavam de usar o ônibus como transporte público diariamente no país.

“Quase não usava táxi, andava muito de ônibus e substituí pelo Uber, principalmente nos deslocamentos menores, no centro de Belo Horizonte. O ônibus é mais demorado e, dependendo do trajeto, o aplicativo sai quase o mesmo preço. Compensa”, afirma a secretária Yvinin Lacerda Dias, 29.

Os aplicativos de mobilidade também são utilizados por quem andava mais de carro ou a pé. “Para ir ao centro, para passear no shopping com a minha filha, prefiro deixar o carro em casa e ir de aplicativo”, diz a desenhista Mariana Iza De Lapouble, 32. Ela conta que poder usar o cartão de crédito é uma vantagem do Cabify, seu app preferido. “Posso pedir para meus sogros e pago no cartão”, conta. O estudo do Cade aponta que a tecnologia “corrige falhas de mercado”, como falta de mobilidade nas tarifas e de informações prévias. “Eu me planejo para fazer compras quando tem desconto no aplicativo”, diz Mariana.

A enfermeira Janaína de Almeida Lira, 34, diz que antes da chegada do Uber, pegava táxi e ônibus. “Agora é só Uber. Abandonei ônibus e táxi. Lembra quando no domingo a gente tinha que pagar bandeira 2? Acabou isso”, conta Janaína.

A nota técnica do Cade conclui que o setor não necessita de regulação. “Tendo em vista as inovações tecnológicas que são capazes de minimizar as falhas verificadas neste mercado, faz sentido cada vez menos regulação de transporte individual de passageiros”, afirma o documento.

O estudo, porém, ainda é preliminar, e afirma que “diversas variáveis ainda estão em análise, como número total de corridas, distância média percorrida, tempo médio por corrida, valor médio por corrida”, diz a nota.

Taxistas reclamam da demanda

Um estudo desenvolvido pelos economistas Cristiano Aguiar de Oliveira e Gabriel Costeira Machado, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), mostrou que a renda dos taxistas não foi afetada pela entrada da Uber no Brasil. “O levantamento começou três meses antes da entrada do aplicativo no país e foi até seis meses depois. E o que identificamos é que não houve impacto na renda do motorista nesse período”, afirma o professor de economia da Furg, Cristiano de Oliveira.

“Uma confusão, na minha avaliação, que muitos taxistas fazem, é dizer que a renda deles caiu por causa dos aplicativos, sem considerar a recessão”, avalia.

O professor diz que faltam estudos para saber se a renda dos taxistas foi impactada depois do período avaliado na pesquisa. “Estamos fazendo um novo estudo para descobrir”, adianta.

Já o presidente do sindicato dos condutores e taxistas (Sincavir), Avelino Moreira, diz que, por causa dos aplicativos como Uber, a renda dos taxistas na capital mineira caiu até 70%. “Primeiro foi 30%, depois foi 50%. Agora, já está em 70% a menos, é muita coisa”, diz. “E não se trata de crise, já tivemos crise econômica no país e o movimento caiu 20%, no máximo. Agora, o problema é a concorrência dos aplicativos sem regulação”, afirma Moreira.

Sete capitais

Duas fases. O estudo sobre a renda dos taxistas ocorreu em duas fases. Primeiro a entrada do Uber no Rio, São Paulo e Belo Horizonte. E depois em Goiânia, Recife,
Salvador e Fortaleza.

Fonte: O Tempo